
O Itaú, ITUB4 (ADR: ITUB), divulgou o resultado do terceiro trimestre em 3 de novembro. O resultado recorrente, que exclui efeitos que não se repetem, foi de R$ 12,6 bilhões, 6,2% acima do terceiro trimestre de 2025 (R$ 11,9 bilhões), em linha com o que o mercado esperava. O retorno sobre o patrimônio ficou em 23,6%, acima dos 23,3% do 3T25.
Para quem investe pensando em renda, o número mais interessante do trimestre está no balanço. O capital principal do banco subiu para 12,7% dos ativos ponderados pelo risco em setembro, acima da meta interna de 11,5% e da folga que analistas costumam considerar antes de o banco devolver o excedente ao acionista. Foi com uma sobra parecida que o banco pagou R$ 20 bilhões em dividendos extraordinários em dezembro de 2025.
Os números do trimestre
| Indicador | 3T26 | 3T25 | Variação sobre o 3T25 |
|---|---|---|---|
| Resultado recorrente | R$ 12,6 bi | R$ 11,9 bi | +6,2% |
| Retorno sobre o patrimônio (recorrente) | 23,6% | 23,3% | +0,3 ponto |
| Carteira de crédito | R$ 1.544 bi | R$ 1.402 bi | +10,2% |
| Inadimplência acima de 90 dias | 2,0% | 1,9% | +0,1 ponto |
| Índice de eficiência | 37,5% | 38,8% | −1,3 ponto (melhora) |
| Capital principal | 12,7% | 13,5% | −0,8 ponto |
Duas observações sobre a tabela:
- Resultado recorrente e lucro contábil. O resultado recorrente não inclui R$ 452 milhões de despesas que o banco considera extraordinárias, já descontados os impostos. A maior delas, de R$ 291 milhões, foi a reestruturação da operação de varejo na Colômbia, vendida em julho. Com esses itens, o lucro contábil foi de R$ 12,2 bilhões, 5,2% acima do 3T25 (R$ 11,6 bilhões).
- O capital principal caiu em relação ao 3T25 por causa do dividendo extraordinário de dezembro de 2025, que tirou dinheiro do balanço. Em relação a junho de 2026, ele subiu 0,4 ponto, de 12,3% para 12,7%.
Em relação ao trimestre anterior, o resultado recorrente cresceu 1,7% (R$ 12,4 bilhões no 2T26), e o retorno sobre o patrimônio caiu de 24,3% para 23,6%, porque o patrimônio cresceu mais rápido que o lucro.
Um banco que cresce sem perder qualidade
O que mais chama a atenção no Itaú é a combinação de crescimento com controle de risco:
- O crédito cresceu 10,2% em relação a setembro de 2025, puxado por crédito imobiliário (+15,8%), consignado (+16,3%) e pequenas e médias empresas (+15,1%), todos na mesma base de comparação.
- A inadimplência ficou praticamente estável, em 2,0% acima de 90 dias, e o custo do crédito ficou em 2,7% da carteira, o mesmo nível dos últimos sete trimestres.
- A eficiência melhorou: o índice de eficiência (quanto o banco gasta para gerar cada real de receita; quanto menor, melhor) caiu para 37,5%.
O banco também manteve todas as previsões para 2026 e reduziu a previsão de alíquota de imposto, que passou de 29,5% a 32,5% para 28% a 29%. Pagar menos imposto aumenta o lucro que sobra para o acionista.
O capital que sobra e o dividendo extra
Bancos precisam manter um colchão mínimo de capital próprio para absorver perdas. O Itaú trabalha com uma meta interna de 11,5% de capital principal, e analistas como os da XP consideram excedente o que passa de 11,5% mais uma folga de 0,5 ponto, ou seja, acima de 12%.
Quanto o Itaú pagou de dividendo extra nos últimos anos
O histórico é a referência mais concreta para quem quer ter uma ideia do que pode vir. Nos dois últimos anos, o dividendo extraordinário por ação foi este:
- Referente a 2024: R$ 1,25 por ação, anunciado com o resultado do quarto trimestre, em fevereiro de 2025, e pago em 7 de março de 2025. Veio junto com JCP de R$ 0,28 por ação, já descontado o imposto. Logo depois, em março de 2025, o banco deu 1 ação nova para cada 10 (bonificação), o que dilui um pouco o valor por ação nos anos seguintes.
- Referente a 2025: R$ 1,87 por ação, anunciado em novembro de 2025 e pago em 19 de dezembro de 2025, num total de R$ 20 bilhões. Veio junto com JCP de R$ 0,31 por ação, já descontado o imposto, pago até 30 de abril de 2026.
O pagamento de 2025 foi maior e saiu mais cedo que o normal. Segundo analistas do Goldman Sachs, o banco antecipou o anúncio, que costuma vir com o resultado do quarto trimestre, provavelmente por causa da nova tributação de dividendos que entrou em vigor em 2026. Foi esse pagamento que levou o capital principal para 12,3% no fim de 2025.
Como está o capital agora
Em setembro, o Itaú tinha R$ 206,0 bilhões de capital principal para R$ 1.626 bilhões em ativos ponderados pelo risco, o que dá 12,67%. Pelo critério da XP (excedente acima de 12%), a sobra seria de cerca de R$ 10,8 bilhões, perto de R$ 0,98 por ação, que poderiam virar dividendos, valor bruto. Essa conta usa a foto de setembro e não inclui o lucro do quarto trimestre, que, se ficar no banco, aumenta o capital disponível até o fim do ano.
Estas contas são uma estimativa do blog, e não uma previsão nem um anúncio do Itaú. O pagamento não é garantido, e o histórico não garante que o valor se repita. O que o banco vai pagar depende do lucro do quarto trimestre, do crescimento do crédito (que consome capital), da folga que a diretoria decidir manter e da forma de devolver o dinheiro (dividendo, JCP ou recompra de ações). O banco também pode preferir usar o capital para crescer ou para aquisições.
Mais dois pontos para ter em mente:
- O banco não anunciou nenhum dividendo extraordinário referente a 2026. A decisão costuma vir junto com o resultado do ano, no começo do ano seguinte.
- A tributação mudou. Desde 2026, quem recebe mais de R$ 50 mil por mês em dividendos de uma mesma empresa tem 10% retidos na fonte, e o JCP passou a ter 17,5% de imposto. Para a maioria dos investidores pessoa física, o dividendo continua isento, como o blog explicou no artigo sobre JCP e dividendos.
O que fica
Este artigo não é uma recomendação de compra ou venda de ITUB4 (ADR: ITUB) nem de qualquer ação citada. O terceiro trimestre deixa três pontos para quem acompanha o Itaú pensando em renda:
- O lucro cresce com regularidade. O resultado recorrente de R$ 12,6 bilhões, sem os itens extraordinários, subiu 6,2% sobre o 3T25, com crédito crescendo e inadimplência estável.
- O capital está acima da referência. Com 12,7% de capital principal, o banco volta a ter sobra. Como referência, os dois últimos dividendos extraordinários foram de R$ 1,25 e R$ 1,87 por ação, sem nenhuma garantia de que se repitam.
- O próximo teste é o resultado anual, no começo de 2027, quando o banco costuma decidir o dividendo complementar.
No artigo em que comparou o Itaú e o Banco do Brasil, o blog mostrou por que a gestão e a rentabilidade do Itaú costumam valer um preço mais alto na bolsa. O terceiro trimestre reforça essa leitura. Na tese BICU do blog, o Itaú é um dos pilares da letra B, de bancos.
A transcrição da teleconferência de 4 de novembro ainda não foi publicada no site de relações com investidores do Itaú. Seguiremos acompanhando as falas da diretoria sobre capital e dividendos, que podem complementar este artigo.
Por Rodrigo Gomes Flores — Dividendo Certo
Fontes consultadas:
- Itaú Unibanco — “Análise Gerencial da Operação e Demonstrações Contábeis” do 3º trimestre de 2026 — resultado recorrente, itens extraordinários, retorno sobre o patrimônio, carteira, inadimplência, eficiência e capital.
- Itaú Unibanco — apresentação de resultados do 3T26 (04/11/2026) — carteira por produto, custo do crédito, evolução do capital principal e previsões para 2026.
- XP Investimentos: “Itaú Unibanco (ITUB4): Fundamentos sólidos, perspectiva atraente para dividendos” — critério de capital excedente (11,5% mais folga de 0,5 ponto).
- Eu Quero Investir: “Itaú dividendos: ITUB4 e ITSA4 disparam após R$ 23,4 bi” — dividendos extraordinários de R$ 20 bilhões e JCP de R$ 3,4 bilhões pagos em dezembro de 2025.
- InfoMoney: “Itaú: dividendo extraordinário veio antes do esperado e reforça otimismo” (28/11/2025) — R$ 1,87 por ação, JCP de R$ 0,31 líquido, datas e avaliação do Goldman Sachs.
- Nord Investimentos: “Itaú lucra R$ 10,88 bilhões no 4T24 e anuncia dividendos extraordinários” — R$ 1,25 por ação e JCP de R$ 0,28 líquido, pagos em 07/03/2025, e bonificação de 10% em março de 2025.
- BTG Pactual: análise do 4T25 do Itaú (05/02/2026) — capital principal de 12,3% no fim de 2025.
- Dividendo Certo, artigos “Itaú ITUB4 (ADR: ITUB) ou Banco do Brasil BBAS3 (ADR: BDORY): qual banco para quem busca dividendos?” (13/10/2026), “JCP ou dividendo” (11/10/2026) e “Tese BICU” (20/10/2026).
Deixe um comentário