
O Banco do Brasil (BBAS3) reportou lucro líquido ajustado de R$ 3,9 bilhões no 2T26, alta de 13,9% em 12 meses e 3,3% no trimestre — acima do esperado pelo mercado. Mas o resultado de topo conta só parte da história.
Um trimestre de resultado bom, mas qualidade mista
A inadimplência acima de 90 dias fechou junho em 5,61%, com cobertura de 148,5%. Em pessoas físicas, a formação de novos calotes (New NPL) encerrou o trimestre em 3,27%, com cobertura de apenas 65,9% — puxada em parte por cartões, sinal de que a deterioração nesse segmento ainda não está sob controle. Do lado positivo, a carteira de agronegócio — vilã do início do ano — encerrou junho em R$ 421,6 bilhões, crescendo apenas 0,8% no trimestre (ritmo mais lento), consistente com a leitura de que o pior momento do Agro pode ter ficado para trás.
O banco negocia abaixo do valor patrimonial — isso é proteção?
O P/VPA caiu para 0,63 no 2T26, ante 0,72 um ano antes — a ação negocia com desconto sobre o valor contábil do patrimônio. Pela ótica de Graham, isso oferece margem de segurança, mas só se o valor patrimonial refletir ativos de qualidade. Com a inadimplência em pessoas físicas ainda subindo, parte desse “valor” pode estar inflado por ativos que ainda vão exigir mais provisão à frente.
O payout, o dividendo e a exigência de renda
O Banco do Brasil aprovou payout de 30% para 2026 — bem abaixo da média histórica de 40%-45%. Com isso, o dividend yield projetado gira em torno de 5% ao ano, abaixo do critério Bazin (mínimo de 6% como filtro de entrada).
O que fica de prático
Este artigo não recomenda a compra ou venda de nenhuma ação específica. O aprendizado central: um lucro acima do esperado não elimina, por si só, sinais de deterioração em segmentos específicos da carteira de crédito.
Nota pessoal: como o payout está em 30% neste ciclo, os dividendos pagos hoje não chegam a 6% ao ano — não atendem à minha exigência mínima definida pelo critério Bazin. Ainda assim, não pretendo vender a posição, porque acredito que, em algum momento à frente, o payout deve voltar a se aproximar de 50% e os dividendos devem crescer na mesma direção — mas essa é uma expectativa pessoal, não recomendação para ninguém além de mim mesmo.
Leave a Reply