RODRIGO GOMES FLORES — 2 de julho de 2026
Um dia me cadastrei num agente credenciado da maior corretora do Brasil. Já tinha minha carteira de dividendos rodando bem, mas achei que uma estrutura maior, com assessores especializados, me ajudaria a ganhar mais.
A primeira desilusão foi o homebroker. Sofisticado no papel, mas completamente contraditório na prática — uma máquina de caça-níqueis disfarçada de plataforma de investimento.
A segunda desilusão foi o assessor. Ligou em menos de 24 horas, voz ansiosa, sem perguntar nada sobre meu perfil. Direto ao ponto: “operações estruturadas”, dinheiro preso por anos, risco alto. “Na última operação nós ganhamos 14%”, ele disse. Disse não.
Então ele recomendou um fundo.
Recusei de novo, explicando que volatilidade alta não era o que eu buscava. Tentei voltar ao assunto das operações estruturadas para entender melhor o que estava sendo oferecido. Ele desligou o telefone na minha cara.
Fiquei sabendo depois: aquele fundo e aquelas operações estruturadas pagavam comissões acima da média para quem os recomendava.
Nunca investi naquela corretora. Com o tempo, o agente credenciado foi comprado por outra empresa. Do assessor, nunca mais ouvi falar.
Minha carteira ficou no Banco do Brasil. Segui recebendo dividendos. E os resultados continuaram bem acima do CDI.
Munger dizia que, na maior parte das vezes, você vai precisar dizer não para ganhar dinheiro. É isso que faço até hoje.
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