Dividendo Certo

Estudos sobre dividendos, renda passiva e psicologia dos mercados pela ótica do value investing aplicados à carteira real de um investidor brasileiro. Perfil no "X" (Twitter): @dividendocerto

A máquina de R$ 3,8 bilhões: Por que tenho BB Seguridade (BBSE3) há 7 anos.

RODRIGO GOMES FLORES — 25 de junho de 2026

Se você abriu o noticiário financeiro nas últimas horas, provavelmente esbarrou em uma manchete que brilha aos olhos de qualquer investidor focado em renda: a BB Seguridade (BBSE3) acaba de anunciar o pagamento de R$ 3,8 bilhões em dividendos.

Com a Selic batendo os 14,25% ao ano, é comum que a primeira reação do investidor pessoa física seja questionar se ainda vale a pena ter o dinheiro na bolsa de valores. “Por que correr risco se a renda fixa está pagando mais de 1% ao mês sem esforço?”

A resposta para essa pergunta está exatamente dentro da minha própria carteira. Eu sou acionista da BB Seguridade há exatos 7 anos. E não pretendo vender.

O Negócio Perfeito para o Cenário Atual

Para entender por que a BB Seguridade é um dos maiores “portos seguros” da nossa bolsa, precisamos olhar para como o dinheiro funciona lá dentro.

O modelo de negócios de uma seguradora é fascinante. Ela recebe o dinheiro dos prêmios de seguro à vista, mas só vai pagar as indenizações (os sinistros) no futuro — e isso se eles ocorrerem. O que ela faz com essa montanha de dinheiro acumulada no meio tempo? Ela investe.

Quando a Selic sobe, o resultado financeiro da BB Seguridade dispara, pois o caixa da empresa está atrelado a esses juros. Em outras palavras, a BBSE3 é uma das poucas empresas da bolsa que, literalmente, adora juros altos. Ela repassa a inflação e a Selic diretamente para o bolso do acionista na forma de dividendos gordos.

O Poder do Tempo: 7 Anos de Yield on Cost

Ter essa empresa há 7 anos me ensinou uma das lições mais valiosas sobre o investimento focado em dividendos: a mágica do Yield on Cost (o rendimento sobre o seu custo de aquisição).

Ao longo desses anos, eu vi a Selic ir de 14% para 2%, e depois voltar para os 14,25%. Vi crises políticas, pandemia e o sobe e desce irracional do mercado. Mas o que importa para a nossa estratégia não é a cotação do dia a dia no home broker. O que importa é a capacidade da empresa de gerar caixa.

Quem compra a empresa hoje, aproveita um dividend yield excelente. Mas quem comprou a empresa há 7 anos e continuou reinvestindo os proventos, hoje colhe um retorno sobre o capital investido original que a renda fixa tradicional dificilmente conseguiria bater com a mesma eficiência tributária (lembrando que dividendos são isentos).

Conclusão

Notícias de R$ 3,8 bilhões em dividendos não caem do céu. Elas são o resultado de um modelo de negócio extremamente rentável, de baixo custo operacional e blindado por um balcão de vendas imbatível (o próprio Banco do Brasil).

Não estou dizendo que a empresa está isenta de riscos, mas sim que, em um momento onde muitos fogem da bolsa por causa dos juros, manter o foco em empresas repassadoras de inflação e boas pagadoras é o que vai garantir a sua paz de espírito.

Ter BBSE3 na carteira não é sobre buscar a ação que vai dobrar de preço amanhã. É sobre construir uma máquina de renda previsível. E, nos últimos 7 anos, posso dizer com tranquilidade: a máquina está funcionando perfeitamente.


Este artigo é de caráter informativo e educacional. Não constitui recomendação de compra ou venda de qualquer ativo. Cada investidor deve fazer sua própria análise considerando seu perfil de risco e objetivos financeiros.

Deixe um comentário

About

Dividendo Certo é uma newsletter sobre renda passiva com dividendos, pela ótica do value investing — Bazin, Barsi, Buffett, Munger, Lynch e Howard Marks aplicados à carteira real de um investidor brasileiro.