Dividendo Certo

Análises de dividendos, renda passiva e psicologia dos mercados pela ótica do value investing aplicados à carteira real de um investidor brasileiro. Perfil no "X" (Twitter): @dividendocerto

Quem escreve o Dividendo Certo — e por que você deveria se importar com isso

RODRIGO GOMES FLORES — 21 de junho de 2026

Existe um tipo de newsletter financeira que você provavelmente já conhece.

Tem um analista com CFA na bio, uma equipe de pesquisa atrás, uma corretora ou casa de análise patrocinando. O conteúdo é profissional, bem formatado, e recomenda comprar ou vender ativos com base em modelos que você não vai conseguir replicar em casa.

O Dividendo Certo não é esse tipo de newsletter.

Quem escreve aqui é Rodrigo Gomes Flores. Sou Procurador do Município — advogado público de carreira, com uma agenda que não some quando o mercado abre. Invisto com o dinheiro que sobra depois das contas, no tempo que sobra depois do trabalho. Não tenho Bloomberg na mesa. Não tenho equipe de analistas. Tenho uma carteira real, uma tese clara, e tempo limitado para acompanhar tudo isso.

É exatamente por isso que resolvi escrever.

Por que dividendos

Cheguei aos dividendos pela lógica, não pela moda.

Quando você tem uma profissão fora do mercado financeiro, não pode depender de estar na frente de uma tela para ganhar dinheiro com investimentos. Não faz sentido operar day trade quando você está numa audiência. Não faz sentido especular com o preço de ativos quando seu foco precisa estar em outra coisa durante a maior parte do dia.

Dividendos resolvem esse problema de forma elegante. Você analisa o negócio, decide se a empresa tem capacidade de gerar caixa de forma consistente, compra a posição, e o dinheiro chega na sua conta enquanto você está fazendo outra coisa. O preço da ação sobe e desce — isso é irrelevante para quem não pretende vender. O que importa é o fluxo de caixa.

Essa lógica me levou a uma carteira concentrada em empresas que têm três características em comum: negócio previsível, geração de caixa consistente, e histórico de distribuir uma fração relevante desse caixa aos acionistas.

A carteira que acompanho

Não escrevo sobre teoria. Escrevo sobre posições que tenho de verdade, com dinheiro real, e que acompanho porque meu patrimônio depende delas.

No Brasil, são dez ativos: BBAS3, ITUB4, BBDC4, CXSE3, BBSE3, ITSA4, ISAE4, TAEE11, VALE3. Cada um tem uma tese específica — e cada tese tem um risco que monitoro.

Internacionalmente, tenho mais seis posições: GOOGL, AMZN, JPM, BRK.B, AEP e LYG. A exposição internacional não é por diversificação geográfica por princípio — é porque essas empresas específicas têm características que não encontro com a mesma qualidade no mercado brasileiro.

São 16 posições no total. É o limite do que consigo acompanhar com qualidade, conciliando com a carreira fora do mercado. Mais do que isso seria superficialidade disfarçada de diversificação.

No radar, mas ainda fora da carteira: KLBN11 e UNIP6.

O que você vai encontrar aqui

O Dividendo Certo publica análises fundamentadas em resultado trimestral, contexto macro e decisões reais de portfólio.

Quando a ISAE4 vira alvo de uma decisão judicial sobre o RBSE, escrevo sobre o que mudou de verdade na tese — não sobre o que a manchete diz. Quando o BBAS3 divulga resultado com aumento de inadimplência no agronegócio, analiso o que isso significa para o dividendo futuro. Quando Howard Marks escreve sobre ciclos de mercado, traduzo o argumento para a realidade de quem investe com tempo limitado.

O que você não vai encontrar aqui: recomendações de compra ou venda, promessas de retorno, preços-alvo, e conteúdo produzido por algoritmo. Cada artigo é escrito por alguém que tem dinheiro no jogo.

O critério que uso para tudo

Décio Bazin. Em “Faça Fortuna com Ações”, Bazin desenvolveu uma regra simples para avaliar ações de dividendos no mercado brasileiro: só compre se o dividend yield for de pelo menos 6% ao ano. Abaixo disso, o risco de renda variável não se justifica frente à renda fixa.

Não sigo essa regra de forma mecânica — há situações em que um yield menor faz sentido se o crescimento do dividendo for consistente e previsível. Mas ela funciona como âncora. Quando o yield comprime abaixo de 6% sem uma razão fundamentada, começo a questionar a posição.

Foi o que aconteceu com a EGIE3. Vendi quando o yield comprimiu para 4,2% e o risco de diluição por emissão de novas ações entrou no horizonte. Não foi uma decisão fácil — era uma boa empresa. Mas a tese havia mudado.

Bazin é a referência brasileira. Mas o arcabouço de pensamento que uso tem outras influências igualmente importantes. Warren Buffett e Charlie Munger ensinaram a pensar em negócios — não em papéis. A pergunta que fazem antes de qualquer investimento não é “o preço vai subir?” mas “esse negócio vai continuar gerando caixa daqui a dez anos?” É uma diferença de perspectiva que muda tudo.

Luís Barsi Filho trouxe essa visão para a realidade brasileira com uma clareza que poucos conseguiram: o investidor de dividendos não especula com o mercado — ele se torna sócio de empresas que pagam para ele existir. Barsi construiu um dos maiores patrimônios em ações do Brasil comprando papéis que ninguém queria, no momento em que ninguém queria, e ficando décadas dentro deles.

Esse é o trio de referências que estrutura o raciocínio do Dividendo Certo. Bazin para o critério de entrada. Buffett e Munger para a qualidade do negócio. Barsi para a disciplina de permanência.

Esse é o tipo de raciocínio que o Dividendo Certo documenta. Não só o que compro, mas por que vendo. Não só o que está funcionando, mas o que revejo quando os fatos mudam.

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Dividendo Certo é uma newsletter sobre renda passiva com dividendos, pela ótica do value investing — Bazin, Barsi, Buffett, Munger, Lynch e Howard Marks aplicados à carteira real de um investidor brasileiro.

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