Dividendo Certo

Análises de dividendos, renda passiva e psicologia dos mercados pela ótica do value investing aplicados à carteira real de um investidor brasileiro. Perfil no "X" (Twitter): @dividendocerto

BBAS3 vai pagar duas vezes em junho

RODRIGO GOMES FLORES — 29 de maio de 2026

Edição nº 2 — Semana de 26 de maio a 1 de junho de 2026

Bom dia, investidor.

Aqui vai o resumo do que aconteceu na semana no mercado. Este mês foi abençoado por causa dos dividendos.

O mercado em 5 linhas

O Ibovespa encerrou a semana pressionado, em torno de 175–177 mil pontos, acumulando queda de quase 6% em maio. A bolsa brasileira segue ignorando os recordes de Wall Street — a divergência entre as duas praças vem se acentuando ao longo do mês, com o capital estrangeiro preferindo o mercado americano e asiático.

O dólar, por outro lado, teve um comportamento curioso: chegou a R$ 4,91 durante a semana — o menor valor em mais de dois anos — antes de fechar mais próximo de R$ 5,02. O real segue como uma das moedas de melhor desempenho no mundo em 2026, acumulando valorização de mais de 10% frente ao dólar no ano. A combinação de Selic em 14,5% com carry trade atraente e superávit comercial sustenta essa força.

A Selic permanece em 14,5% ao ano. O mercado está dividido: parte dos analistas projeta que o Banco Central encerrará o ciclo de alta em 13,75% (XP revisou para cima a projeção novamente), enquanto o consenso do Focus ainda aponta para 13%. Para o investidor de dividendos, o cenário de juros ainda elevados significa que a régua de comparação com a renda fixa continua alta — o que torna ainda mais importante escolher ativos com teses sólidas, não apenas yield aparente.

O petróleo seguiu acima de US$ 110 durante a semana, favorecido por negociações entre EUA e Irã que ainda não produziram acordo concreto. Isso beneficia o superávit comercial brasileiro e sustenta o real forte.

Proventos recebidos na semana

A semana de 25 a 29 de maio foi movimentada no calendário de proventos — nove empresas listadas na B3 fizeram pagamentos. Da carteira do Dividendo Certo, o destaque vai para a ISAE4, que manteve seu ritmo de pagamentos mensais. A ISA Energia é uma das poucas empresas da carteira que deposita proventos todos os meses, o que cria um fluxo de caixa quase previsível como um salário.

Quem reinvestiu os proventos desta semana fez isso com o Ibovespa ainda em queda — comprando mais unidades de bons ativos a um preço menor do que no começo do mês. Essa é exatamente a mecânica que torna o reinvestimento de dividendos tão poderoso no longo prazo: a queda do mercado, que assusta quem especula, é oportunidade para quem acumula.

Pessoalmente, esse mês eu investi em CXSE3, BBDC3 e ITSA4, porque as datas de anúncio de dividendos está próxima ou já anunciaram as datas de pagamento.

O que observar na próxima semana

A semana que começa na segunda (2 de junho) tem uma agenda econômica carregada no Brasil e nos EUA — e os dados vão movimentar o mercado.

Na quarta-feira, o IBGE divulga o IPCA-15 de maio, a principal prévia da inflação oficial. Com o IPCA já acima do teto da meta pelo oitavo mês seguido (projeção de 4,86% para 2026), qualquer surpresa altista vai pressionar a curva de juros e atrasar as apostas em corte da Selic. Isso afeta diretamente a avaliação das ações pagadoras de dividendos.

Na sexta-feira, o grande destaque é o PIB do primeiro trimestre de 2026. A atividade econômica dá a régua para entender se o Brasil está crescendo de forma consistente ou se o aperto monetário está começando a frear mais do que o esperado. Um PIB forte dá margem ao Banco Central para manter juros elevados por mais tempo — o que é ruim para ações no curto prazo, mas bom para a tese de dividendos de empresas com receita indexada à inflação (ISAE4, TAEE11, EGIE3).

Nos EUA, o núcleo do PCE — o indicador de inflação favorito do Federal Reserve — sai na sexta também. O Fed está parado em 3,5–3,75% ao ano, e qualquer sinal de desinflação mais rápida reabre a discussão sobre cortes — o que, por reflexo, alivia os juros longos globalmente e beneficia ativos de risco no Brasil.

Fique de olho também no câmbio: se o dólar testar novamente a faixa de R$ 4,90, isso fortalece os ativos internacionais da carteira em reais — mas comprime o resultado de empresas exportadoras como VALE3.


Este conteúdo tem finalidade exclusivamente informativa e não constitui recomendação de compra ou venda de ativos. Invista com responsabilidade.

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