Dividendo Certo

Análises de dividendos, renda passiva e psicologia dos mercados pela ótica do value investing aplicados à carteira real de um investidor brasileiro. Perfil no "X" (Twitter): @dividendocerto

Ibovespa cai pela 6ª semana seguida — e o que isso significa para quem investe em dividendos

RODRIGO GOMES FLORES — 26 de maio de 2026

Edição nº 1 — Semana de 19 a 26 de maio de 2026

Bom dia, investidor.

Bem-vindo à primeira edição do Dividendo Certo — o briefing semanal de dividendos feito por investidor pessoa física, para investidor pessoa física.

Toda semana você vai receber aqui o que realmente importa para quem pensa em renda passiva: câmbio, macro, movimentos da carteira e um ativo em foco com análise aprofundada. Sem hype, sem recomendação de compra e venda, sem promessa de enriquecimento rápido.

Vamos ao que aconteceu esta semana.

O mercado em 5 linhas

O Ibovespa fechou mais uma semana no vermelho — a sexta consecutiva, com queda de 0,61%. É a maior sequência de perdas semanais desde 2018. Em maio, o índice acumula queda de quase 6%.

O principal motivo não é uma crise pontual, mas uma combinação de fatores estruturais: saída de capital estrangeiro em direção às bolsas americanas e asiáticas, ritmo de corte de juros mais lento do que o esperado pelo mercado, e incerteza eleitoral no horizonte.

Para o investidor de dividendos, isso significa uma coisa prática: as ações da carteira estão mais baratas em preço, mas os proventos continuam sendo pagos. Quem reinveste dividendos está comprando mais cotas a um custo menor — e é exatamente para isso que a estratégia de longo prazo existe.

O dólar segue próximo a R$ 5,00, num patamar bem abaixo do que vimos no fim de 2025. Isso é positivo para a inflação, mas comprime o retorno em reais de quem tem posições internacionais como GOOGL, AEP e JPM.

A Selic está em 14,5% ao ano após o corte de 0,25 ponto percentual em abril. O mercado projeta encerrar 2026 em torno de 13% — o que ainda mantém o Brasil como um dos países com maiores juros reais do mundo e sustenta o fluxo de capital estrangeiro para renda fixa, mas começa a tornar as ações pagadoras de dividendos progressivamente mais atrativas na comparação.

Ativo em foco: BBAS3 — o que a revisão do guidance significa para seus dividendos

Esta semana o Banco do Brasil confirmou o que o mercado já suspeitava desde o resultado do 1T26: revisou para baixo o guidance de lucro líquido ajustado de 2026, de R$ 22–26 bilhões para R$ 18–22 bilhões. Uma queda de até 30% na estimativa central.

Para o investidor de dividendos, isso tem consequência direta: com payout fixo em 30%, menos lucro significa menos dividendo.

Mas antes de vender, vale entender o contexto. O Banco do Brasil não está em crise operacional — está absorvendo o impacto de um aumento expressivo na provisão para créditos de liquidação duvidosa, especialmente no segmento rural, onde inadimplência cresceu além do esperado. Isso é um problema cíclico, não estrutural.

O banco aprovou em maio a distribuição de R$ 465,7 milhões em JCP, com pagamento previsto para 11 de junho para quem tiver a ação em 1º de junho. O provento por ação é modesto, mas confirma que a política de distribuição segue ativa.

A questão para o investidor de dividendos não é “devo vender BBAS3 agora”, mas: o banco consegue retomar o crescimento de lucro no 2S26? A resposta depende da safra agrícola, dos spreads de crédito e do ritmo de queda dos juros. Vou monitorar o próximo resultado de perto. Particularmente, eu não vou vender.

Proventos pagos na semana

Duas empresas da carteira distribuíram proventos recentemente, com pagamento em maio.

A Engie Brasil (EGIE3) pagou R$ 0,488 por ação em dividendos e R$ 0,0875 em JCP no dia 20 de maio — total de aproximadamente R$ 0,576 por ação para quem estava posicionado até 4 de maio. A empresa aprovou R$ 657 milhões no total, mantendo sua reputação de uma das distribuidoras mais consistentes do setor elétrico.

A Taesa (TAEE11) pagou R$ 0,90 por unit, com data-com em 29 de abril. O valor está dentro do histórico recente da empresa, que mantém distribuições regulares lastreadas na receita garantida das concessões de transmissão.

Quem reinvestiu esses proventos esta semana fez isso com as ações em queda — ou seja, comprou mais barato.

Comprei ITSA4 e BBDC3. Acredito na recuperação.

O que observar na próxima semana

Três coisas merecem atenção nos próximos dias: o dado do IPCA de maio (inflação ainda acima do teto da meta em 4,86% projetados para o ano); qualquer sinalização do Banco Central sobre o ritmo do próximo corte de juros; e o movimento do câmbio caso o dólar reteste a faixa de R$ 5,10–5,20, o que impactaria diretamente VALE3 e os ativos internacionais da carteira.


Este conteúdo tem finalidade exclusivamente informativa e não constitui recomendação de compra ou venda de ativos. Invista com responsabilidade.

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