
Se você acompanha a tela do home broker diariamente, provavelmente tomou um susto recente com a ISA Energia (ISAE4). A empresa anunciou a precificação do seu follow-on (oferta subsequente de ações) a R$ 27,00 por papel, levantando cerca de R$ 1,2 bilhão com forte demanda do mercado. A reação imediata? As ações recuaram cerca de 5% no pregão seguinte.
Para o investidor iniciante, ver uma ação da carteira cair de repente acende um alerta vermelho. Mas aqui no Dividendo Certo, nós olhamos para o mercado com a mentalidade de donos do negócio. E a verdade é que essa movimentação de capital está longe de ser um castigo; na verdade, é um movimento estratégico para proteger a saúde financeira da empresa a longo prazo.
O que é esse Follow-on e para onde vai o dinheiro? Quando uma empresa faz um follow-on, ela está emitindo novas ações no mercado para captar dinheiro. O efeito colateral natural de curto prazo é uma leve queda na cotação, pois o mercado ajusta o preço ao valor da nova emissão (os R$ 27,00) e ocorre uma diluição marginal de quem já era acionista e decide ficar de fora.
Mas a grande pergunta do investidor de valor deve ser: para que a ISA Energia quer esse R$ 1,2 bilhão?
O capital captado tem um destino muito claro: financiar o descruzamento de participações (como o ativo da Interligação Elétrica do Madeira) e manter o plano de expansão da transmissora rodando. A empresa precisa investir para gerar mais Receita Anual Permitida (RAP) no futuro.
O Dilema: Diluição vs. Dívida Cara É aqui que entra a genialidade de Charlie Munger sobre olhar para a “qualidade do negócio”. A ISA Energia tinha duas opções para financiar esse crescimento:
- Tomar mais dívida no mercado com juros altos (o que comeria o lucro líquido).
- Emitir novas ações (captar com os sócios).
Se a empresa escolhesse se endividar até o pescoço para manter um payout de 100% no curto prazo, o balanço financeiro ficaria estrangulado. Ao escolher o follow-on, a gestão troca o custo de uma dívida cara por capital próprio. Isso mantém a alavancagem sob controle e garante que o crescimento da empresa não seja feito às custas da sustentabilidade da renda.
A Minha Decisão na Prática (Skin in the Game) Aqui no Dividendo Certo, eu não falo apenas na teoria; eu aplico o que defendo. Foi por isso que decidi participar ativamente deste follow-on.
Fiz a minha reserva e fiquei extremamente contente ao ver que 100% do meu lote foi aceito a R$ 27,00. O que isso significa na prática? Acabei comprando ações de uma empresa excelente por um preço sensivelmente abaixo da cotação de mercado daquele momento. Com esse movimento, evitei a diluição da minha participação na companhia e aumentei a minha base de ativos. Tenho plena convicção de que, no futuro, essa alocação tática será regiamente recompensada com o recebimento de dividendos ainda maiores e com a valorização natural das ações.
O que esperar agora? A poeira do follow-on vai baixar. O próximo grande gatilho para observarmos será o balanço do segundo trimestre de 2026 (2T26), previsto para o início de agosto. Lá, veremos o impacto inicial dessa captação no balanço e como a diretoria guiará os próximos passos.
Até lá, seguimos a regra de ouro: invista no que você entende, aproveite as assimetrias a seu favor, foque na renda passiva crescente e deixe o ruído do mercado para os especuladores.
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