Dividendo Certo

Análises de dividendos, renda passiva e psicologia dos mercados pela ótica do value investing aplicados à carteira real de um investidor brasileiro.

O que o mercado espera de BBDC4, ITUB4 e BBAS3 neste trimestre?

Se tem uma época do ano em que o investidor de dividendos não pode tirar os olhos da tela, é a temporada de balanços. Nas próximas semanas, os verdadeiros “motores” da nossa geração de renda vão abrir os números do segundo trimestre de 2026 (2T26).

Aqui no Dividendo Certo, você sabe que nós não operamos ruído. Não compramos ação porque a manchete mandou; compramos porque o fundamento exige. Mas antecipar o que as grandes casas do mercado estão precificando nos ajuda a calibrar as nossas expectativas e, claro, a preparar o caixa para eventuais oportunidades se o mercado reagir com histeria a resultados perfeitamente normais.

Vamos ao raio-x do que os grandes analistas projetam para a nossa trinca de gigantes: Itaú, Bradesco e Banco do Brasil.

1. Bradesco (BBDC4): A virada de chave?

Lembra quando o mercado batia no Bradesco sem dó por causa da inadimplência? Pois é, o jogo parece estar virando. As estimativas da XP apontam o Bradesco como o possível “grande campeão” de crescimento desta temporada.

  • A expectativa: Lucro líquido na casa dos R$ 6,9 bilhões, o que representa uma bela alta de 15% na comparação anual. O Retorno sobre o Patrimônio Líquido (ROE) — que é o calcanhar de aquiles recente do banco — deve saltar para 15,8% (um avanço de 1,3 ponto percentual).
  • Por que funciona? O plano de reestruturação da nova gestão começa a ganhar tração de verdade. Espera-se um forte crescimento de receitas e, o mais importante, despesas sob rédea curta. Para quem teve paciência de carregar a ação na baixa e ignorar o pânico, os frutos operacionais começam a aparecer.

2. Itaú (ITUB4): O eterno relógio suíço

Enquanto os outros bancos suam a camisa para tentar recuperar margens, o Itaú continua jogando outro esporte. Não espere um salto gigantesco nos números ou grandes surpresas, não porque o banco esteja mal, mas porque a barra já está no teto.

  • A expectativa: Lucro líquido projetado de impressionantes R$ 12,3 bilhões (alta de 7,7%) e um ROE estratosférico de 24,3%.
  • Por que funciona? Controle de custos brutal e uma carteira de altíssima qualidade. O Itaú continua sendo a base de segurança inabalável. Ele não vai te dar sustos. É a engrenagem perfeita para quem quer previsibilidade nos proventos em qualquer cenário.

3. Banco do Brasil (BBAS3): O sinal amarelo continua piscando

Aqui é onde o investidor precisa de mais estômago. O 1T26 do Banco do Brasil já havia acendido um alerta vermelho para muita gente (com direito a um corte severo no guidance de lucro do ano, empurrado para a faixa de R$ 18 bi a R$ 22 bi).

  • A expectativa: Analistas do Itaú BBA e da XP mantêm uma postura de enorme cautela para o 2T26. Devido à falta de previsibilidade, o mercado evita cravar um número exato para o lucro trimestral, mas o consenso espera um trimestre difícil, com compressão de margens e pressões pesadas originadas pelo aumento no custo de risco. O resultado do trimestre deve refletir a forte desaceleração em direção à banda inferior do novo guidance anual de R$ 18 bilhões.
  • Por que preocupa? A qualidade de crédito piorou. O ambiente macro mais difícil começou a pesar, mas o principal ofensor tem sido a deterioração na carteira do agronegócio — um reduto histórico que antes era inabalável para o BB. Será um trimestre de provisões maiores.

O Veredito da Mesa do Editor

Se você tem os três bancos na carteira (como eu detalhei na nossa última edição), os balanços deste 2T26 vão ser a maior prova de fogo da nossa tese de diversificação intra-setorial:

  1. O Itaú segura a bronca do portfólio com uma rentabilidade absurda;
  2. O Bradesco traz a assimetria e a expansão de lucros da recuperação;
  3. O Banco do Brasil testará a disciplina de quem focou no alto yield, mas que agora terá que ter estômago para passar por um ciclo de crédito mais desafiador.

O mercado cobra caro de empresas cíclicas em momentos de aperto. A cotação pode até apanhar nessas horas, mas para quem está construindo patrimônio, o pessimismo extremo costuma abrir janelas raras de acumulação.

A temporada começa pesada na virada de julho para agosto. E você, qual desses três acha que vai rechear mais a sua conta com dividendos até o fim do ano? Deixe sua opinião aqui nos comentários. 👇

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