RODRIGO GOMES FLORES — 9 de julho de 2026
Enquanto a atenção do mercado ficou concentrada na novela de governança da Vale, uma mudança mais relevante passou quase despercebida: a companhia elevou a projeção de quanto cobre e níquel vão pesar no resultado.
O número que a Vale revisou para cima
A Vale Base Metals deve responder por cerca de 28% do EBITDA consolidado em 2026 — revisão para cima frente aos 26% anteriores. Para 2035, a projeção é de 30% a 35%. No 1T26, o EBITDA da divisão mais que dobrou na comparação anual (+116%), para US$ 1,2 bilhão.
Por que isso importa para o preço da ação
A Vale negocia a um múltiplo EV/EBITDA de ~4,5x, típico de mineradora de ferro madura. Mineradoras de cobre puras negociam acima de 10x. Se a VBM fosse avaliada isoladamente com múltiplo mais próximo do de cobre, o valor implícito seria expressivo.
O contraponto
O níquel segue com excesso de oferta global até 2030. O minério de ferro ainda responde por 72% do EBITDA — a Vale continua sendo, na prática, uma aposta majoritária nesse negócio.
O que isso significa para dividendo
Uma fatia crescente do caixa que sustenta o dividendo não depende mais só do minério de ferro e da China — o que é positivo para a previsibilidade da distribuição futura, mesmo que o mercado ainda não pague por essa mudança.
Nota metodológica: múltiplos de pares e da VBM isolada são estimativas de casas de análise, não valores observáveis diretamente.
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